Solturas de animais reabilitados pelos COPs SP e RJ, em fevereiro

A equipe do COP RJ foi responsável pela liberação de duas aves: uma garça-branca-pequena (Egretta hula) e de um trinta-réis-boreal (Sterna hirundo). Já o COP SP cuidou da soltura de uma rolinha-feijão (Columbina talpacoti), de dois bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), de um carcará (Caracara plancus, foto) e de uma coruja-caburé (Glaucidium minutissimum).

O trinta-réis-boreal que recebeu cuidados no COP RJ apresentava anilha colocada há 20 anos nos Estados Unidos e foi encontrado por populares encalhado em praia de Rio das Ostras. No momento de ingresso, estava alerta, embora magro, desidratado e com temperatura baixa. Depois de 19 dias em reabilitação e já recuperada, a ave foi solta na mesma praia onde foi resgatada e pela mesma pessoa que a encontrou, o músico Tarcízio Freire da Costa, que compôs uma música em homenagem ao trinta-réis (foto).

Já o carcará (foto) que recebeu cuidados no COP SP foi liberado duas vezes pela equipe. A ave voltou a ingressar para reabilitação quatro dias depois de ter sido solta da primeira vez. Ela tornou a aparecer no lugar em que havia sido resgatada, no bairro Guilhermina, e a suspeita é que se tratava de uma fêmea que retornou em busca dos filhotes. Da primeira vez em que ingressou para reabilitação, apresentava boas condições clínicas e um machucado nas narinas, provavelmente resultado de uma colisão. Já da segunda vez, também estava bem. Ela foi recolhida pela GCM em uma residência, onde foi encontrada pelo proprietário.

Solturas de animais reabilitados pelos COPs SP e RJ

A equipe do COP RJ foi responsável pela liberação de quatro aves: uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia), um carcará (Caracara plancus), um gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) e um gavião-carrapateiro (Milvago chimachima, foto). Desde que começou a tratar animais para reabilitação, em 2017, o COP RJ recebeu um asa-de-telha, em novembro de 2018 – que foi a óbito – e nenhum carrapateiro antes desse foi solto.

A coruja-buraqueira (foto) foi levada pela Secretaria de Meio Ambiente de Macaé até o COP RJ. Estava alerta e ativa, mas com alguns problemas, entre eles o olho direito inchado. Três dias após o ingresso e cuidados adequados, o olho já havia desinchado e sua melhora, inclusive na habilidade de voo, já estava comprovada. Já o carcará foi encontrado também em Macaé, com suspeita de fratura, constatada na tíbia com o exame radiológico realizado em parceria com a CVI. Depois de dois meses, a fratura já havia consolidado.

Já no COP SP, passaram pela reabilitação um atobá (Sula leucogaster), um gaviã0-caboclo (Heterospizias meridionalis), um gavião asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), um falcão-de-coleira (Falco femoralis), um carcará (Caracara plancus) e três quiris-quiris (Falco sparverius). Desses casos, ganham destaque o atobá e o gavião-cabloco. O primeiro, uma fêmea, foi transferido do Aquário de Santos para o COP SP. Os principais problemas eram a pododermatite nas duas patas e a ausência das penas primárias nas asas direita e esquerda, além das da cauda estarem quebradas. Durante a reabilitação, ganhou peso, as penas cresceram e a pododer-matite foi curada. Também passou por lavado para remover gordura e sua permanência na piscina foi incentivada para que pudesse organizar as penas. Sua soltura ocorreu no dia 9 de janeiro.

Já o gavião-cabloco ingressou para reabilitação no dia 3 de dezembro, levado pela GCM de São Vicente. Estava quieto, prostrado, não apresentando ameaça e nem conseguindo voar. Estava no estado juvenil, com anemia e caquético (apenas 585 gramas, quando o parâmetro, nessa fase, é 800 gramas). No período em que recebeu cuidados, engordou e a anemia foi revertida. Sua soltura ocorreu no dia 20, com a ave pesando 1,18 kg.

Solturas de animais reabilitados pelos COPs SP e RJ

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

Entre eles, está o caso de um gavião-carijó (Rupornis magnirostris, foto), levado ao COP RJ pela Secretaria de Meio Ambiente de Macaé e com histórico de não conseguir levantar voo. Era uma ave jovem, com as penas primárias ainda em crescimento e provavelmente aprendendo a voar, mas com condições clínicas muito boas. Decidiu-se por mantê-lo em reabilitação até o desenvolvimento total das penas. Depois de 31 dias, essa fase já estava concluída e ave já apresentava boa capacidade de voo. Foi solta no dia 27 de dezembro em área natural localizada em Rio das Ostras.

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

Outro caso registrado pelo COP RJ foi a reabilitação de um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous, foto). O animal, um macho adulto, foi encaminhado para tratamento em outubro depois de, possivelmente, ter sido atropelado. Foi encontrado à beira de uma estrada em Macaé e estava em estado semi-comatoso, não responsivo, com temperatura baixa, magro e sem reflexos. Além disso, apresentava hematomas em cavidade oral e língua do lado direito. Depois de estabilizado e além do exame rotineiro de sangue, foram realizados exames complementares na CVI – Centro Veterinário Integrado, parceira da Aiuká, como a radiografia e a tomografia que constatou uma pequena lesão em hemisfério cerebral direito, confirmando o diagnóstico de trauma.
“A recuperação foi lenta, porém bem-sucedida”, conta Maria Clara Sanseverino. Ele permaneceu em reabilitação por 54 dias, sendo marcado com microchip e liberado no dia 17 de dezembro.

Foto: Aline Nascimento
Foto: Aline Nascimento

Já entre as solturas registradas pelo COP SP está a de um martim-pescador (Megaceryle torquata), recolhido por um popular que o encaminhou à Polícia Militar Ambiental. Ele apresentava sangue na cavidade oral e estava estressado, mas alerta e não bravio. Foi mantido dentro da caixa de transporte, medida adotada para evitar mais stress, e hidratado. No dia seguinte ao seu ingresso, o sangramento havia estancado e ele se alimentou voluntariamente. Em função do stress característico dessa espécie, optou-se então pelo seu anilhamento e soltura, realizada pela própria Polícia Militar Ambiental.

Pacientes do mês de Novembro/2019

Foto: Hudson Lemos / Aiuká
Foto: Hudson Lemos / Aiuká

O frango-d’água-azul (Porphyrio martinicus) chegou ao COP RJ oriundo de um acionamento PMAVE. A ave foi encontrada no main deck da FPSO Cidade de Caraguatatuba (Total). Embora não tenha se alimentado bem nos primeiros dias de reabilitação, ele ingressou em boas condições clínicas e sem lesões e passou a se alimentar. Depois de uma semana recebendo cuidados, foi anilhado e liberado no dia 12 em área de conservação ambiental.

Entre as solturas efetuadas pela equipe do COP SP, esteve a de um sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), encaminhado pelo Grupamento Ambiental da GCM de Praia Grande, que o resgatou de dentro de uma mochila de um homem que havia capturado a ave e o irmão do seu ninho. Embora esse último tenha vindo a óbito, o outro conseguiu resistir e reagiu positivamente à reabilitação. Desenvolveu as penas e, depois de passar pela biometria e ser anilhado, foi solto.

Aiuká presente em Congresso para discutir conservação da toninha

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

Valeria Ruoppolo ministrou palestra no “Workshop Franciscana 2019”, realizado entre os dias 4 e 6 de novembro em San Clemente Del Tuyú, na Argentina. O evento, promovido pela Fundacion Mundo Marino e coordenado pela Yaqu Pacha, teve participação de especialistas da Argentina, Brasil, Uruguai, França, Holanda, México, Alemanha e Estados Unidos, representando cerca de 30 entidades.
O objetivo do encontro foi revisar dados populacionais da toninha (Pontoporia blainvillei), definir informações prioritárias que ainda não são conhecidas, analisar ameaças comuns à espécie em diferentes áreas do mundo e intercambiar conhecimentos médicos veterinários a respeito da reabilitação desses animais. A maior preocupação dos especialistas se concentra nas projeções de sustentabilidade da espécie. Entre Brasil, Argentina e Uruguai, calcula-se que morram cerca de três mil toninhas por ano, quantidade que alerta para a possibilidade de extinção desse golfinho nas próximas três décadas.

Paciente do mês: gambá-de-orelha-preta

 

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

No COP RJ, um caso ganha destaque: a de um gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita), que ingressou para reabilitação ainda filhote, pesando apenas 51 gramas, e que está sendo tratado com acupuntura. Embora alerta e com bom score corporal, o animal arrastava os dois membros posteriores ao andar e também apresentava dificuldades para urinar e defecar. A acupuntura está sendo administrada como tentativa de estimular os membros afetados. As sessões são realizadas uma vez por semana, com duração média de 15 minutos e, após a terceira aplicação, o gambá começou a responder positivamente ao tratamento. Ele já urina e defeca normalmente, se alimenta duas vezes ao dia e está crescendo e ganhando peso, além de já conseguir mover os membros posteriores.

Paciente do mês: Beija-flor

Beija-florEm outubro/2019, foi registrada uma soltura: a de um beija-flor (Thalurania glaucopis) filhote. Essa foi a primeira ave da espécie solta pela Aiuká, marcando o sucesso na reabilitação, tarefa que raramente alcança um resultado como esse. A maior parte dos beija-flores vai a óbito quando estão nessa fase por conta da sua fragilidade. Ele foi levado ao COP SP pela Guarda Civil Municipal de São Vicente no dia 20 de setembro depois de ter sido recolhido, caído no chão, por um popular. A ave ainda não sabia voar e foi acomodada em um recinto de PVC, telado, restringindo assim a visibilidade a fim de evitar que ele ficasse estressado com o manejo. Foi alimentado duas vezes por dia, com néctar. Os cuidados deram certo, resultando no ganho de peso e desenvolvimento de penas; após começar a voar no recinto e fazer um teste de voo, estava apto para a soltura, que ocorreu no dia 11 de outubro.