Desenvolvimento de novos projetos

Aiuká está executando um projeto de resgate de fauna doméstica e silvestre para uma empresa que atua no Rio de Janeiro. Esse trabalho inclui a captura, cuidados veterinários, castração e encaminhamento para adoção de cães e gatos que ocorrem em áreas de risco da empresa, comprometendo a sua própria segurança e também a dos funcionários. Os animais são mantidos em Rio das Ostras e em Macaé até serem encaminhados para um lar adotivo. Em breve, o site da Aiuká disponibilizará informações sobre os animais e formulários de adoção para os interessados.

Paciente: cachorro-do-mato

Um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) está em reabilitação na Aiuká e deve voltar ao seu ambiente em breve. Ele foi resgatado no início de agosto em uma unidade terrestre de apoio às operações de exploração e produção de petróleo e gás, ferido em função de um possível atropelamento. Outras espécies animais resgatadas em unidades semelhantes são rotineiramente reabilitadas pela Aiuká.

Novos serviços em terra – Educação Ambiental

A excelência técnica da equipe da Aiuká está sendo investida em um novo trabalho da instituição: um projeto de educação ambiental para uma empresa siderúrgica. Ele está em elaboração em três fazendas de silvicultura localizadas em Minas Gerais, inseridas no bioma Cerrado e com a ocorrência de diferentes espécies de animais silvestres. 

Entre elas, está o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), que já esteve presente nos seis biomas do Brasil, mas já é considerado possivelmente extinto nos Pampas e quase extinto na Caatinga e na Mata Atlântica. No Cerrado, onde há maior concentração da espécie, as populações vêm sofrendo reduções em função de ameaças que vão da fragmentação do habitat e passam por incêndios, caça e atropelamentos. Além do tamanduá-bandeira, também estão presentes a jaguatirica (Leopardus pardalis), a anta (Tapirus terrestris), o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), a arara-canindé (Ara ararauna), a gralha-do-campo (Cyanocorax cristatellus), o  jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), entre outras espécies que dependem de esforços para sua conservação.

Um dos objetivos do projeto é sensibilizar os funcionários da empresa para a importância da preservação dessas espécies e tratar da segurança dos trabalhadores, já que na rotina das fazendas existe a possibilidade de ocorrerem encontros com animais que podem causar acidentes. O trabalho é diferenciado ao enfatizar a informação visual, comunicada em placas e mapas pelas fazendas, o que a torna mais acessível e atrativa ao público que não tem perfil técnico.

Solturas de animais reabilitados pelos COPs SP e RJ

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

Entre eles, está o caso de um gavião-carijó (Rupornis magnirostris, foto), levado ao COP RJ pela Secretaria de Meio Ambiente de Macaé e com histórico de não conseguir levantar voo. Era uma ave jovem, com as penas primárias ainda em crescimento e provavelmente aprendendo a voar, mas com condições clínicas muito boas. Decidiu-se por mantê-lo em reabilitação até o desenvolvimento total das penas. Depois de 31 dias, essa fase já estava concluída e ave já apresentava boa capacidade de voo. Foi solta no dia 27 de dezembro em área natural localizada em Rio das Ostras.

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

Outro caso registrado pelo COP RJ foi a reabilitação de um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous, foto). O animal, um macho adulto, foi encaminhado para tratamento em outubro depois de, possivelmente, ter sido atropelado. Foi encontrado à beira de uma estrada em Macaé e estava em estado semi-comatoso, não responsivo, com temperatura baixa, magro e sem reflexos. Além disso, apresentava hematomas em cavidade oral e língua do lado direito. Depois de estabilizado e além do exame rotineiro de sangue, foram realizados exames complementares na CVI – Centro Veterinário Integrado, parceira da Aiuká, como a radiografia e a tomografia que constatou uma pequena lesão em hemisfério cerebral direito, confirmando o diagnóstico de trauma.
“A recuperação foi lenta, porém bem-sucedida”, conta Maria Clara Sanseverino. Ele permaneceu em reabilitação por 54 dias, sendo marcado com microchip e liberado no dia 17 de dezembro.

Foto: Aline Nascimento
Foto: Aline Nascimento

Já entre as solturas registradas pelo COP SP está a de um martim-pescador (Megaceryle torquata), recolhido por um popular que o encaminhou à Polícia Militar Ambiental. Ele apresentava sangue na cavidade oral e estava estressado, mas alerta e não bravio. Foi mantido dentro da caixa de transporte, medida adotada para evitar mais stress, e hidratado. No dia seguinte ao seu ingresso, o sangramento havia estancado e ele se alimentou voluntariamente. Em função do stress característico dessa espécie, optou-se então pelo seu anilhamento e soltura, realizada pela própria Polícia Militar Ambiental.

Aiuká presente em Congresso para discutir conservação da toninha

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

Valeria Ruoppolo ministrou palestra no “Workshop Franciscana 2019”, realizado entre os dias 4 e 6 de novembro em San Clemente Del Tuyú, na Argentina. O evento, promovido pela Fundacion Mundo Marino e coordenado pela Yaqu Pacha, teve participação de especialistas da Argentina, Brasil, Uruguai, França, Holanda, México, Alemanha e Estados Unidos, representando cerca de 30 entidades.
O objetivo do encontro foi revisar dados populacionais da toninha (Pontoporia blainvillei), definir informações prioritárias que ainda não são conhecidas, analisar ameaças comuns à espécie em diferentes áreas do mundo e intercambiar conhecimentos médicos veterinários a respeito da reabilitação desses animais. A maior preocupação dos especialistas se concentra nas projeções de sustentabilidade da espécie. Entre Brasil, Argentina e Uruguai, calcula-se que morram cerca de três mil toninhas por ano, quantidade que alerta para a possibilidade de extinção desse golfinho nas próximas três décadas.

Paciente do mês: gambá-de-orelha-preta

 

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

No COP RJ, um caso ganha destaque: a de um gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita), que ingressou para reabilitação ainda filhote, pesando apenas 51 gramas, e que está sendo tratado com acupuntura. Embora alerta e com bom score corporal, o animal arrastava os dois membros posteriores ao andar e também apresentava dificuldades para urinar e defecar. A acupuntura está sendo administrada como tentativa de estimular os membros afetados. As sessões são realizadas uma vez por semana, com duração média de 15 minutos e, após a terceira aplicação, o gambá começou a responder positivamente ao tratamento. Ele já urina e defeca normalmente, se alimenta duas vezes ao dia e está crescendo e ganhando peso, além de já conseguir mover os membros posteriores.

Responsabilidade Socioambiental

Em setembro de 2019, ocorreram sete solturas.  A equipe do COP SP foi responsável por três delas: de uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia), de um carcará (Caracara planctus) e de um veado-catingueiro (Mazama gouazoubira).

Já o COP RJ liberou um frango-d’água-azul (Porphyrio martinicus), uma garça-branca-grande (Ardea alba), uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia) e um bem-te-vi (Pitangus sulphuratus).

Paciente: o veado-catingueiro

veado-catingueiro
O veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) foi levado ao COP SP pela Polícia Militar Ambiental do Guarujá, que foi acionada para resgatá-lo em uma casa situada na Vila Zilda. Tratava-se de uma fêmea subadulta, com escoriações na cabeça, na barriga e no dorso. Além disso, estava molhada e com a temperatura baixa. No COP, recebeu os cuidados necessários e, depois de seca, ficou em um dos recintos. Ficou dois dias em observação e, antes de ser solta, foi microchipada.