Testes pioneiros de afugentamento de aves em plataformas marítimas continuam

Atobá

Novos testes para o afugentamento de atobás-grandes (Sula dactylatra) em unidades marítimas foram realizados em agosto. Essa espécie de ave marinha, que ocorre em alto-mar, por vezes utiliza as unidades marítimas offshore como ponto de descanso, podendo impactar as operações locais. As técnicas desenvolvidas pela Aiuká são inéditas no Brasil. 

O projeto está sendo desenvolvido com autorização do IBAMA e os testes estão sendo realizados nas próprias unidades marítimas, com a colaboração dos Técnicos Embarcados Responsáveis. Serão identificadas várias ferramentas de afugentamento e as formas de combiná-las, considerando a característica da espécie e de cada unidade e o que potencialmente pode trazer sucesso na diminuição das aglomerações de aves. “Assim, contribuiremos com um ambiente limpo e mais seguro nas unidades, sem prejuízo às pessoas e aos animais. Esse é nosso desafio”, ressalta Alice Mondin, bióloga e coordenadora de negócios da Aiuká.  

Paciente: Urubu

Um urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) foi reabilitado após ter sido encontrado com as penas de praticamente todo o corpo contaminadas por um tipo de verniz ou cola. Fez-se a limpeza de suas penas e a recuperação foi progressiva. Depois de 10 dias, a ave foi anilhada e solta. Esse animal foi reabilitado no âmbito da parceria com a Guarda Ambiental de Rio das Ostras e é uma ação voluntária da Aiuká em favor do bem-estar dos animais silvestres que ocorrem nas proximidades de seus centros operacionais.

Pacientes: coruja e jaçanã

Em maio, duas aves que estavam em reabilitação no COP SP e no COP RJ voltaram ao seu ambiente.


A primeira liberação foi de uma coruja-do-mato (Megascops choliba), que ingressou para reabilitação em decorrência de um acionamento da UTGCA Petrobras. Ela colidiu com um veículo, mas não apresentou nenhuma fratura em exame realizado. Ela passou por tratamento com antibiótico e anti-inflamatório, além de receber hidratação e alimentação diárias. Sua melhora ocorreu em poucos dias e foi atestada pela demonstração de interesse pelo alimento oferecido, entre outros aspectos. Depois dos parâmetros clínicos estabilizados e de teste de voo, foi liberada.


Já no dia 6 de maio, foi solto um jaçanã (Jacana jacana). A ave chegou ao COP RJ alerta e sem lesões externas, mas pouco ativa e apresentando fezes escurecidas. Um tratamento com antitóxicos, suplementos vitamínicos e hidratação foi iniciado e, dali a alguns dias, ela foi transferida para um recinto maior, enriquecido ambientalmente com galhos, tapetes, piscina com alface d’água e rampa de acesso. Para estimular a organização das penas, foram aplicados borrifos de água algumas vezes por dia. Sua alimentação foi baseada em ração, peixes, tenébrios, sementes e grãos.

Pacientes do mês de abril

Coruja-do-mato
Em abril, três aves que estavam em reabilitação no COP SP voltaram ao seu habitat. O COP RJ não teve solturas neste mês.Ganha destaque o caso da coruja-do-mato (Megascops choliba) que estava em recuperação desde dezembro de 2019. Ela foi solta no dia 19. A ave foi encaminhada pela GCM de Praia Grande e o histórico clínico indicou colisão. Durante o exame, não foi constatada fratura, embora ela apresentasse escoriações na região dorsal e dificuldade de manter-se em estação. Depois de receber os cuidados necessários, teve melhora significativa em poucos dias. Mas, durante o processo de reabilitação, danificou algumas penas das asas e, assim, foi necessário aguardar o crescimento de novos canhões para, em seguida, o implante de penas ser realizado a fim de acelerar o processo de liberação.

Pacientes do mês de março

Carcará
Entre os pacientes do COP RJ, esteve uma coruja-caburé (Glaucidium minutissimum), levada para lá por um cidadão que a encontrou em sua residência em Rio das Ostras. Embora estivesse alerta e quieta, a ave apresentou sinais neurológicos como incoordenação motora e o pescoço voltado para o lado e para baixo, além de não empoleirar e permanecer no fundo da caixa de transporte. Durante o tratamento e após sua transferência para um recinto maior, foi recuperando-se aos poucos no decorrer dos 62 dias que ficou em reabilitação. Ela voltou a posicionar normalmente o pescoço, empoleirou e conseguiu voar de forma coordenada. Também caçou presa viva para se alimentar. O anilhamento e a biometria foram realizados antes da soltura, no dia 10 de março.

Solturas de animais reabilitados pelos COPs SP e RJ, em fevereiro

A equipe do COP RJ foi responsável pela liberação de duas aves: uma garça-branca-pequena (Egretta hula) e de um trinta-réis-boreal (Sterna hirundo). Já o COP SP cuidou da soltura de uma rolinha-feijão (Columbina talpacoti), de dois bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), de um carcará (Caracara plancus, foto) e de uma coruja-caburé (Glaucidium minutissimum).

O trinta-réis-boreal que recebeu cuidados no COP RJ apresentava anilha colocada há 20 anos nos Estados Unidos e foi encontrado por populares encalhado em praia de Rio das Ostras. No momento de ingresso, estava alerta, embora magro, desidratado e com temperatura baixa. Depois de 19 dias em reabilitação e já recuperada, a ave foi solta na mesma praia onde foi resgatada e pela mesma pessoa que a encontrou, o músico Tarcízio Freire da Costa, que compôs uma música em homenagem ao trinta-réis (foto).

Já o carcará (foto) que recebeu cuidados no COP SP foi liberado duas vezes pela equipe. A ave voltou a ingressar para reabilitação quatro dias depois de ter sido solta da primeira vez. Ela tornou a aparecer no lugar em que havia sido resgatada, no bairro Guilhermina, e a suspeita é que se tratava de uma fêmea que retornou em busca dos filhotes. Da primeira vez em que ingressou para reabilitação, apresentava boas condições clínicas e um machucado nas narinas, provavelmente resultado de uma colisão. Já da segunda vez, também estava bem. Ela foi recolhida pela GCM em uma residência, onde foi encontrada pelo proprietário.

Solturas de animais reabilitados pelos COPs SP e RJ

A equipe do COP RJ foi responsável pela liberação de quatro aves: uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia), um carcará (Caracara plancus), um gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) e um gavião-carrapateiro (Milvago chimachima, foto). Desde que começou a tratar animais para reabilitação, em 2017, o COP RJ recebeu um asa-de-telha, em novembro de 2018 – que foi a óbito – e nenhum carrapateiro antes desse foi solto.

A coruja-buraqueira (foto) foi levada pela Secretaria de Meio Ambiente de Macaé até o COP RJ. Estava alerta e ativa, mas com alguns problemas, entre eles o olho direito inchado. Três dias após o ingresso e cuidados adequados, o olho já havia desinchado e sua melhora, inclusive na habilidade de voo, já estava comprovada. Já o carcará foi encontrado também em Macaé, com suspeita de fratura, constatada na tíbia com o exame radiológico realizado em parceria com a CVI. Depois de dois meses, a fratura já havia consolidado.

Já no COP SP, passaram pela reabilitação um atobá (Sula leucogaster), um gaviã0-caboclo (Heterospizias meridionalis), um gavião asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), um falcão-de-coleira (Falco femoralis), um carcará (Caracara plancus) e três quiris-quiris (Falco sparverius). Desses casos, ganham destaque o atobá e o gavião-cabloco. O primeiro, uma fêmea, foi transferido do Aquário de Santos para o COP SP. Os principais problemas eram a pododermatite nas duas patas e a ausência das penas primárias nas asas direita e esquerda, além das da cauda estarem quebradas. Durante a reabilitação, ganhou peso, as penas cresceram e a pododer-matite foi curada. Também passou por lavado para remover gordura e sua permanência na piscina foi incentivada para que pudesse organizar as penas. Sua soltura ocorreu no dia 9 de janeiro.

Já o gavião-cabloco ingressou para reabilitação no dia 3 de dezembro, levado pela GCM de São Vicente. Estava quieto, prostrado, não apresentando ameaça e nem conseguindo voar. Estava no estado juvenil, com anemia e caquético (apenas 585 gramas, quando o parâmetro, nessa fase, é 800 gramas). No período em que recebeu cuidados, engordou e a anemia foi revertida. Sua soltura ocorreu no dia 20, com a ave pesando 1,18 kg.

Afugentamento de aves em unidades marítimas

Foto: Viviane Barquete/Aiuká
Foto: Viviane Barquete / Aiuká

Viviane Barquete, Valeria Ruoppolo, o professor Luís Fabio Silveira, da USP, e técnicos do Ibama estiveram embarcados no FPSO Espírito Santo, da Shell, para testar medidas de afugentamento e atração de atobás-grandes (Sula dactylatra) que pernoitam no turret do FPSO Espírito Santo. Embora o AVIX Autonomic Laser, apropriado para o afugentamento de aves, não tenha apresentado a eficácia esperada pela Aiuká, outra técnica – a de exclusão – teve um bom desempenho. Trata-se do bird wire que, basicamente, consiste em um cabo tensionado que cria uma área de instabilidade no momento do pouso e, assim, a ave torna a levantar voo. Um outro procedimento, o de uso de réplicas de atobás para atrair as aves, também foi experimentado e, numa próxima etapa, deve ser associado à técnica de exclusão.