Taxa de reabilitação de animais passa de 70%

Um dos indicadores que comprova a excelência técnica da Aiuká na execução do PMAVE é a taxa de reabilitação das aves recebidas ainda vivas, mas debilitadas, resgatadas em unidades marítimas mantidas por operadores clientes da empresa. Do total de indivíduos que receberam cuidados em 2020, 73,3% foram reabilitados e quase todos voltaram para o ambiente natural, com exceção de apenas um pombo-comum (Columba livia) anilhado, pertencente à associação columbófila e encaminhado para um criadouro. Os animais que não conseguiram sobreviver ingressaram extremamente debilitados e não reagiram aos tratamentos. 

Eles receberam cuidados no Centro Operacional da Aiuká em Rio das Ostras (COP Aiuká RJ), no Rio de Janeiro. Essas instalações são preparadas para todo o processo de recebimento, manejo e reabilitação de fauna marinha (aves, mamíferos e tartarugas). Tem aproximadamente 730 m² de área construída e suas instalações replicam a boa experiência do COP Aiuká SP na implementação do processo de resgate e reabilitação de fauna.

Entre o mês de março e início de abril, foram protocolados no Ibama os relatórios anuais do PMAVE de todos os clientes atendidos pela Aiuká. Esses documentos reúnem todas as informações do ano anterior sobre a incidência de avifauna nas unidades marítimas em atividades de exploração e produção de petróleo, em áreas offshore. São produzidas várias estatísticas, que incluem espécies encontradas e os períodos de maior ocorrência ao longo do ano. 

Paciente: cachorro-do-mato

Um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) está em reabilitação na Aiuká e deve voltar ao seu ambiente em breve. Ele foi resgatado no início de agosto em uma unidade terrestre de apoio às operações de exploração e produção de petróleo e gás, ferido em função de um possível atropelamento. Outras espécies animais resgatadas em unidades semelhantes são rotineiramente reabilitadas pela Aiuká.

Pacientes: coruja e jaçanã

Em maio, duas aves que estavam em reabilitação no COP SP e no COP RJ voltaram ao seu ambiente.


A primeira liberação foi de uma coruja-do-mato (Megascops choliba), que ingressou para reabilitação em decorrência de um acionamento da UTGCA Petrobras. Ela colidiu com um veículo, mas não apresentou nenhuma fratura em exame realizado. Ela passou por tratamento com antibiótico e anti-inflamatório, além de receber hidratação e alimentação diárias. Sua melhora ocorreu em poucos dias e foi atestada pela demonstração de interesse pelo alimento oferecido, entre outros aspectos. Depois dos parâmetros clínicos estabilizados e de teste de voo, foi liberada.


Já no dia 6 de maio, foi solto um jaçanã (Jacana jacana). A ave chegou ao COP RJ alerta e sem lesões externas, mas pouco ativa e apresentando fezes escurecidas. Um tratamento com antitóxicos, suplementos vitamínicos e hidratação foi iniciado e, dali a alguns dias, ela foi transferida para um recinto maior, enriquecido ambientalmente com galhos, tapetes, piscina com alface d’água e rampa de acesso. Para estimular a organização das penas, foram aplicados borrifos de água algumas vezes por dia. Sua alimentação foi baseada em ração, peixes, tenébrios, sementes e grãos.

Solturas de animais reabilitados pelos COPs SP e RJ, em fevereiro

A equipe do COP RJ foi responsável pela liberação de duas aves: uma garça-branca-pequena (Egretta hula) e de um trinta-réis-boreal (Sterna hirundo). Já o COP SP cuidou da soltura de uma rolinha-feijão (Columbina talpacoti), de dois bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), de um carcará (Caracara plancus, foto) e de uma coruja-caburé (Glaucidium minutissimum).

O trinta-réis-boreal que recebeu cuidados no COP RJ apresentava anilha colocada há 20 anos nos Estados Unidos e foi encontrado por populares encalhado em praia de Rio das Ostras. No momento de ingresso, estava alerta, embora magro, desidratado e com temperatura baixa. Depois de 19 dias em reabilitação e já recuperada, a ave foi solta na mesma praia onde foi resgatada e pela mesma pessoa que a encontrou, o músico Tarcízio Freire da Costa, que compôs uma música em homenagem ao trinta-réis (foto).

Já o carcará (foto) que recebeu cuidados no COP SP foi liberado duas vezes pela equipe. A ave voltou a ingressar para reabilitação quatro dias depois de ter sido solta da primeira vez. Ela tornou a aparecer no lugar em que havia sido resgatada, no bairro Guilhermina, e a suspeita é que se tratava de uma fêmea que retornou em busca dos filhotes. Da primeira vez em que ingressou para reabilitação, apresentava boas condições clínicas e um machucado nas narinas, provavelmente resultado de uma colisão. Já da segunda vez, também estava bem. Ela foi recolhida pela GCM em uma residência, onde foi encontrada pelo proprietário.

Solturas de animais reabilitados pelos COPs SP e RJ

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

Entre eles, está o caso de um gavião-carijó (Rupornis magnirostris, foto), levado ao COP RJ pela Secretaria de Meio Ambiente de Macaé e com histórico de não conseguir levantar voo. Era uma ave jovem, com as penas primárias ainda em crescimento e provavelmente aprendendo a voar, mas com condições clínicas muito boas. Decidiu-se por mantê-lo em reabilitação até o desenvolvimento total das penas. Depois de 31 dias, essa fase já estava concluída e ave já apresentava boa capacidade de voo. Foi solta no dia 27 de dezembro em área natural localizada em Rio das Ostras.

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

Outro caso registrado pelo COP RJ foi a reabilitação de um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous, foto). O animal, um macho adulto, foi encaminhado para tratamento em outubro depois de, possivelmente, ter sido atropelado. Foi encontrado à beira de uma estrada em Macaé e estava em estado semi-comatoso, não responsivo, com temperatura baixa, magro e sem reflexos. Além disso, apresentava hematomas em cavidade oral e língua do lado direito. Depois de estabilizado e além do exame rotineiro de sangue, foram realizados exames complementares na CVI – Centro Veterinário Integrado, parceira da Aiuká, como a radiografia e a tomografia que constatou uma pequena lesão em hemisfério cerebral direito, confirmando o diagnóstico de trauma.
“A recuperação foi lenta, porém bem-sucedida”, conta Maria Clara Sanseverino. Ele permaneceu em reabilitação por 54 dias, sendo marcado com microchip e liberado no dia 17 de dezembro.

Foto: Aline Nascimento
Foto: Aline Nascimento

Já entre as solturas registradas pelo COP SP está a de um martim-pescador (Megaceryle torquata), recolhido por um popular que o encaminhou à Polícia Militar Ambiental. Ele apresentava sangue na cavidade oral e estava estressado, mas alerta e não bravio. Foi mantido dentro da caixa de transporte, medida adotada para evitar mais stress, e hidratado. No dia seguinte ao seu ingresso, o sangramento havia estancado e ele se alimentou voluntariamente. Em função do stress característico dessa espécie, optou-se então pelo seu anilhamento e soltura, realizada pela própria Polícia Militar Ambiental.

Pacientes do mês de Novembro/2019

Foto: Hudson Lemos / Aiuká
Foto: Hudson Lemos / Aiuká

O frango-d’água-azul (Porphyrio martinicus) chegou ao COP RJ oriundo de um acionamento PMAVE. A ave foi encontrada no main deck da FPSO Cidade de Caraguatatuba (Total). Embora não tenha se alimentado bem nos primeiros dias de reabilitação, ele ingressou em boas condições clínicas e sem lesões e passou a se alimentar. Depois de uma semana recebendo cuidados, foi anilhado e liberado no dia 12 em área de conservação ambiental.

Entre as solturas efetuadas pela equipe do COP SP, esteve a de um sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), encaminhado pelo Grupamento Ambiental da GCM de Praia Grande, que o resgatou de dentro de uma mochila de um homem que havia capturado a ave e o irmão do seu ninho. Embora esse último tenha vindo a óbito, o outro conseguiu resistir e reagiu positivamente à reabilitação. Desenvolveu as penas e, depois de passar pela biometria e ser anilhado, foi solto.

Paciente do mês: Beija-flor

Beija-florEm outubro/2019, foi registrada uma soltura: a de um beija-flor (Thalurania glaucopis) filhote. Essa foi a primeira ave da espécie solta pela Aiuká, marcando o sucesso na reabilitação, tarefa que raramente alcança um resultado como esse. A maior parte dos beija-flores vai a óbito quando estão nessa fase por conta da sua fragilidade. Ele foi levado ao COP SP pela Guarda Civil Municipal de São Vicente no dia 20 de setembro depois de ter sido recolhido, caído no chão, por um popular. A ave ainda não sabia voar e foi acomodada em um recinto de PVC, telado, restringindo assim a visibilidade a fim de evitar que ele ficasse estressado com o manejo. Foi alimentado duas vezes por dia, com néctar. Os cuidados deram certo, resultando no ganho de peso e desenvolvimento de penas; após começar a voar no recinto e fazer um teste de voo, estava apto para a soltura, que ocorreu no dia 11 de outubro.

Responsabilidade Socioambiental

Em setembro de 2019, ocorreram sete solturas.  A equipe do COP SP foi responsável por três delas: de uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia), de um carcará (Caracara planctus) e de um veado-catingueiro (Mazama gouazoubira).

Já o COP RJ liberou um frango-d’água-azul (Porphyrio martinicus), uma garça-branca-grande (Ardea alba), uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia) e um bem-te-vi (Pitangus sulphuratus).