Resposta à emergência em Silva Jardim (RJ)

Ainda em dezembro e após dois meses de serviços, foi concluído o trabalho da Aiuká na resposta a uma emergência em Silva Jardim (RJ). A organização ficou à frente das atividades de atendimento à fauna oleada, atingida após tentativa de furto de combustível em oleoduto localizado em área de Mata Atlântica.

Adotando todas as medidas necessárias para evitar a disseminação da covid-19, as equipes da Aiuká se revezaram para atender os animais. Acidentes decorrentes desses crimes têm sido constantes e, além de impactar as espécies que vivem em áreas protegidas, prejudicam o ecossistema local.

Paciente: Coleirinho

Um coleirinho (Sporophila caerulescens), uma pequena ave terrestre, foi encontrado dentro de um container e encaminhado para a Aiuká por meio de um acionamento no âmbito do Projeto de Monitoramento de Impactos de Plataformas e Embarcações sobre a Avifauna (PMAVE). Tratava-se de um macho adulto que, depois de alguns dias em observação, teve atestado seu bom estado clínico e foi solto em seu ambiente natural.

Emergência ambiental no Maranhão

Em fevereiro deste ano, a 100 quilômetros da costa do Maranhão, o comandante de um navio cargueiro foi obrigado a realizar uma manobra de emergência para evitar o naufrágio da embarcação, que colidiu com algo desconhecido e teve avaria na proa. A partir desse momento, foi iniciada uma série de procedimentos para proteger a integridade do navio, dos tripulantes e do meio ambiente.

A metodologia do ICS (Incident Command System), uma ferramenta projetada para permitir o gerenciamento eficiente de incidentes, foi implementada para a gestão da emergência. Este sistema integra respondedores de várias agências e opera dentro de uma estrutura organizacional comum. Com essa metodologia, foi possível instituir um Comando Unificado, com participação dos órgãos reguladores e fiscalizadores, além das empresas envolvidas no acidente.

A Aiuká, em parceria com a OceanPact, iniciou sua participação na resposta ao incidente no início de março, com a responsabilidade de gerir todas as atividades de proteção à fauna, sempre respeitando os princípios preconizados no Plano Nacional de Ação de Emergência para Fauna Impactada por Óleo (PAE-Fauna), publicado pelo IBAMA em 2018.

Com o decreto da pandemia da covid-19, o Posto de Comando foi desmobilizado e todos os membros da estrutura organizacional da resposta (EOR) passaram a trabalhar em sistema de home office. As ações de campo foram mantidas com a adoção das recomendações de segurança da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde.

Após 32 dias de monitoramento embarcado de fauna, 18 sobrevoos para monitoramento e levantamento aéreo e um total de 48 dias de atividades, não houve registro de fauna oleada e o trabalho da Aiuká foi concluído com sucesso.

Testes pioneiros de afugentamento de aves em plataformas marítimas continuam

Atobá

Novos testes para o afugentamento de atobás-grandes (Sula dactylatra) em unidades marítimas foram realizados em agosto. Essa espécie de ave marinha, que ocorre em alto-mar, por vezes utiliza as unidades marítimas offshore como ponto de descanso, podendo impactar as operações locais. As técnicas desenvolvidas pela Aiuká são inéditas no Brasil. 

O projeto está sendo desenvolvido com autorização do IBAMA e os testes estão sendo realizados nas próprias unidades marítimas, com a colaboração dos Técnicos Embarcados Responsáveis. Serão identificadas várias ferramentas de afugentamento e as formas de combiná-las, considerando a característica da espécie e de cada unidade e o que potencialmente pode trazer sucesso na diminuição das aglomerações de aves. “Assim, contribuiremos com um ambiente limpo e mais seguro nas unidades, sem prejuízo às pessoas e aos animais. Esse é nosso desafio”, ressalta Alice Mondin, bióloga e coordenadora de negócios da Aiuká.