Resposta à emergência em Silva Jardim (RJ)

Ainda em dezembro e após dois meses de serviços, foi concluído o trabalho da Aiuká na resposta a uma emergência em Silva Jardim (RJ). A organização ficou à frente das atividades de atendimento à fauna oleada, atingida após tentativa de furto de combustível em oleoduto localizado em área de Mata Atlântica.

Adotando todas as medidas necessárias para evitar a disseminação da covid-19, as equipes da Aiuká se revezaram para atender os animais. Acidentes decorrentes desses crimes têm sido constantes e, além de impactar as espécies que vivem em áreas protegidas, prejudicam o ecossistema local.

Preparados para emergências

Logística e recursos humanos preparados para o sucesso de uma resposta a emergências com fauna oleada são fundamentais, principalmente diante da pressão e agilidade necessária que se apresentam nessas situações. Com mais de 10 anos de experiência, a Aiuká atende a esses requisitos para o sucesso da resposta porque dispõe de uma equipe especializada no gerenciamento de emergências e de dois Centros Operacionais, o COP Aiuká SP e o COP Aiuká RJ, completamente adaptados aos serviços necessários nesses casos.

As instalações do Centro Operacional Aiuká localizado em Praia Grande (COP Aiuká SP), no litoral paulista, são adaptadas para o processo de recebimento, manejo e reabilitação de fauna marinha (aves, mamíferos e tartarugas). O COP está construído em 750 m² e suas áreas de trabalho se dividem em administrativas e veterinárias, pertinentes ao atendimento de uma emergência envolvendo fauna oleada.

Já o Centro Operacional Aiuká RJ (COP Aiuká RJ) está localizado em Rio das Ostras, município localizado cerca de 200 quilômetros ao norte da cidade do Rio de Janeiro. As instalações têm aproximadamente 876 m² de área construída e suas instalações replicam a boa experiência do COP Aiuká SP na implementação do processo de resgate e reabilitação de fauna.

Paciente: cachorro-do-mato

Um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) está em reabilitação na Aiuká e deve voltar ao seu ambiente em breve. Ele foi resgatado no início de agosto em uma unidade terrestre de apoio às operações de exploração e produção de petróleo e gás, ferido em função de um possível atropelamento. Outras espécies animais resgatadas em unidades semelhantes são rotineiramente reabilitadas pela Aiuká.

Pacientes: coruja e jaçanã

Em maio, duas aves que estavam em reabilitação no COP SP e no COP RJ voltaram ao seu ambiente.


A primeira liberação foi de uma coruja-do-mato (Megascops choliba), que ingressou para reabilitação em decorrência de um acionamento da UTGCA Petrobras. Ela colidiu com um veículo, mas não apresentou nenhuma fratura em exame realizado. Ela passou por tratamento com antibiótico e anti-inflamatório, além de receber hidratação e alimentação diárias. Sua melhora ocorreu em poucos dias e foi atestada pela demonstração de interesse pelo alimento oferecido, entre outros aspectos. Depois dos parâmetros clínicos estabilizados e de teste de voo, foi liberada.


Já no dia 6 de maio, foi solto um jaçanã (Jacana jacana). A ave chegou ao COP RJ alerta e sem lesões externas, mas pouco ativa e apresentando fezes escurecidas. Um tratamento com antitóxicos, suplementos vitamínicos e hidratação foi iniciado e, dali a alguns dias, ela foi transferida para um recinto maior, enriquecido ambientalmente com galhos, tapetes, piscina com alface d’água e rampa de acesso. Para estimular a organização das penas, foram aplicados borrifos de água algumas vezes por dia. Sua alimentação foi baseada em ração, peixes, tenébrios, sementes e grãos.

Afugentamento de aves em unidades marítimas

Foto: Viviane Barquete/Aiuká
Foto: Viviane Barquete / Aiuká

Viviane Barquete, Valeria Ruoppolo, o professor Luís Fabio Silveira, da USP, e técnicos do Ibama estiveram embarcados no FPSO Espírito Santo, da Shell, para testar medidas de afugentamento e atração de atobás-grandes (Sula dactylatra) que pernoitam no turret do FPSO Espírito Santo. Embora o AVIX Autonomic Laser, apropriado para o afugentamento de aves, não tenha apresentado a eficácia esperada pela Aiuká, outra técnica – a de exclusão – teve um bom desempenho. Trata-se do bird wire que, basicamente, consiste em um cabo tensionado que cria uma área de instabilidade no momento do pouso e, assim, a ave torna a levantar voo. Um outro procedimento, o de uso de réplicas de atobás para atrair as aves, também foi experimentado e, numa próxima etapa, deve ser associado à técnica de exclusão.

Simpósio da ABDEM

Foto: Divulgação / Aiuká
Foto: Divulgação / Aiuká

A Aiuká foi ainda convidada como palestrante para o Simpósio “Derramamento de Óleo na Costa Brasileira: Responsabilidades e Reflexões, uma Visão Multidisciplinar”, organizado pela Associação Brasileira de Direito de Energia e Meio Ambiente (ABDEM) em dia 16 de dezembro na Universidade Santa Cecília (UNISANTA), em Santos, com participação de diferentes entidades, entre elas a Capitania dos Portos do Estado de São Paulo, a CETESB e a Superintendência do Ibama no Estado da Bahia. Alice Mondin fez palestra sobre o tema “Situação atual da legislação e pré-requisitos técnicos e operacionais para uma resposta efetiva para a fauna em eventos de derramamento de óleo”.